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Entre as curvas do Zouk

Por Carlos Marcondes

Homem e mulher dançando colados, mas de mentes libertas, em total sintonia e admirável cumplicidade. Singelas descrições como esta, estampavam reportagens em todo o mundo, durante a década de 80, quando explodia a febre do Zouk, um bailado repleto de sensualidade, que se tornava ícone e sinônimo de charme caribenho.

O ritmo, que no idioma crioulo é uma gíria para a palavra “festa”, nasceu no final dos anos 70, em Guadalupe, nas Antilhas Francesas com o surgimento da lendária banda Kassav, fundada por Jacob Desvarieux e pelos irmãos Pierre e Georges Decimus. A ideia, que contou com o apoio do renomado músico Freddy Marshall, era dar uma roupagem mais moderna às músicas de carnaval de Martinica e Guadalupe.

A banda lançou seu primeiro álbum “Love and Ka Dance” em 1980. Mas foi em 85, com o sucesso “*Zouk la sé sèl médickaman nou ni* que em crioulo significa “Zouk é o único remédio que temos”, que eles conquistaram amplitude mundial. Na França, o Kassav, que na tradução é “Mandioca”, chegou a estar diversas vezes no topo das mais tocadas, com sucessos de uma carreira de 30 álbuns.

Versão do amor

Além de ter divido o berço do Zouk com Guadalupe, a bela ilha de Martinica, também foi celeiro do Zouk Love, um ritmo mais melódico, lento e ainda mais sensual. Um dos maiores sucessos veio com Jocelyne Beroard que 1983 passou a ser uma das principais vocalistas da banda Kassav. A martiniquense também gravou um álbum com o também local Philipe Lavil, que trazia o famoso hit Kolé Séré, uma das músicas mais tocadas na história do Zouk Love.

Ao longo dos anos o Zouk também contribuiu para fortalecer a imagem de outros ritmos caribenhos no mundo como a Salsa, o Merengue e até a brasileira Lambada, muitas vezes confundida com a versão Love da música das Antilhas.

Estas diversas mesclas e influências com o Reggae jamaicano ou com o Kuduro angolano, fez com que o Zouk ganhasse novos estilos, o que para muitos críticos, representa sinônimo de riqueza cultural. Além do Tradicional e do Love há também o chamado Betão, tocado nas músicas de carnaval da Martinica; o R’NB Americano, que os franceses puristas preferem chamar de Zouk Nouvelle Génération, e ainda o recém-criado Soulzouk, difundido no Brasil.

Ao caminhar pelas ruas de Fort de France, capital da Martinica, ou entre pequenas vilas do interior da ilha, é comum ouvir a melodia nativa em uma de suas várias formas. Bares e restaurantes a usam como música ambiente e transmitem uma atraente sensação de alegria e sedução.

Nas famosas discotecas especializadas no ritmo como o Cotton Club ou o Le Negresco, dançarinos locais se misturam aos turistas, que se divertem sempre bem acompanhados da típica bebida Ti Punch, uma versão da caipirinha brasileira, que leva limão, xarope de cana de açúcar e rum branco. Há também a versão tropical chamada de Punch Planteur, com frutas cítricas, raízes e ervas, uma mistura que harmoniza perfeitamente com o swing contagiante do caribe.

Onde o Zouk reina na Martinica

Fort de France

Le Negresco

RUE DU COMMERCE
P.: 05 96 61 55 17 10

Le Manhattan

18, Rue François Arago

P.: 0596 60 46 69

L’Appart

6 Rue Papin Dupont

P.: 596 596 74 66 77

Le Lamentin

Cotton Club

CC Verti Acajou

P.: 05 96547726

Maximus

Pont de Californie

Basse Gondeau

P.: 596 596 50 16 37

Les Trois-Ilets

L'Amphore

Pointe du Bout

P.: 0596/66-03-09

Fort de France