Os novos encontros do Castelo Clos-Lucé

Os novos encontros do Castelo Clos-Lucé

 

 

12, 13 e 14 de agosto de 2010 no Château du Clos Lucé

www.vinci-closluce.com

Uma viagem ao coração da literatura visionáriaAs máquinas voadoras<?xml:namespace prefix = o />

Esse novo encontro literário criado pelo castelo Clos-Lucé se encarrega de trazer à vida e compartilhar o olhar pioneiro de Leonardo da Vinci em seus escritos.

Sábio, inventivo, ávido, artista, filósofo, Leonardo da Vinci é diverso. Mas o conjunto único de sua obra nos convida a pensar sobre a palavra “visionário”.

Leonardo precursor universal? É verdade que em suas anotações são antecipados um grande número de descobertas da ciência moderna. Nem intuitivos, nem imaginários, essas anotações revelam a observação e análise metódica dos movimentos e suas leis.

“Aqui está um conto maravilhoso, no qual tudo é verdade, e não só verdade, mas verificado” disse Paul Valéry. O legado deste conto acaba talvez então em literatura, uma literatura visionária, de uma antecipação que muitos escritores souberam ampliar em suas obras, onde a ciência, a poesia e a filosofia se somam.

O Castelo Clos-Lucé, sob a direção artística de Anne Rotenberg, propõe leituras adaptadas para o palco na voz de atores consagrados. A cada ano um tema é escolhido nos cadernos de Leonardo da Vinci. Nesta primeira edição, “as máquinas voadoras” serão o coração do evento. Os cafés literários e as leituras noturnas reviverão o sonho e a emoção que suscitaram no decorrer dos séculos.

 

Leonardo da Vinci e as máquinas voadoras

Em seus cadernos, Leonardo da Vinci escrevia com uma força poética: “O grande pássaro fará seu primeiro voo no dorso do grande cisne, para a surpresa da terra e preencherá todos os anais da história com seu feito, e ao seu ninho natal será conferida a glória eterna”. Um pouco além, ele redigiu com precisão: “Um pássaro é um instrumento que funciona de acordo com as leias matemáticas, instrumento que o homem é capaz de reproduzir com todos os seus movimentos, mas não com uma força correspondente, (...). Podemos dizer, portanto, que a tal instrumento, construído pelo homem, não falta nada exceto a vida de pássaro, vida que lhe deve fornecer o homem.”

Adolescente, as primeiras reflexões de Leonardo se inspiraram em suas leituras. Entre elas a obra de Ovide. De suas leituras, Leonardo tirou os aspectos mais físicos e naturalistas da visão poética dos autores e, dessa forma, começa a exprimí-los em seus desenhos e experiências.

A lenda de Ícaro traduzida na linguagem poética de Ovide reflete o desejo imemorial dos homens de levantar voo. O primeiro estudo racional sobre o voo humano encontrou sua expressão através de Leonardo da Vinci.

Tal qual Leonardo, Cyrano de Bergerac, Rétif de la Bretonne, Jules Vernes foram inspirados pelo jovem Ícaro.

Mais informações www.vinci-closluce.com

Endereço: Château du Clos Lucé – Parc Leonardo da Vinci                   37 400 AmboiseTel.: +33 (0)2 47 57 55 78E-mail: closluce.com@vinci-closluce.com

Programação – clique aqui e confira a programação em francês

12 de agosto

17h30 Café Literário                       EPOPEE DU CIEL (Epopéia do Céu)                  Com Philippe Forest “O século das nuvens”, Gallimard, 2010

Philippe Forest é diplomado pelo Institut Politique de Paris e doutor em letras. Ele lecionou francês em diversas universidades. É autor de uma dezena de ensaios sobre literatura e a cultura contemporanea e romances editados pela Gallimard. É colaborador da revista Art Press e dedica a maior parte de sua atividade à crítica literária, mas também, pontualmente, ao cinema e às artes plásticas.

12h30            Leitura                       LA DÉCOUVERTE AUSTRALE PAR UN HOMME-VOLANT OU DÉDALE FRANÇAIS (A descoberta Austral por um homem-voador ou Labirinto francês)                       De Rétif de la Bretonne                     Com Bernadette Lafont

Por se emancipar da pesada hierarquia social de seu tempo, Victorin inventa um mecanismo que permite acionar asas e, já que sua posição não lhe permite unir-se livremente com Christine, ele irá levantar voo e bater no Monte Inacessível um mundo à sua maneira. A partir daí ele parte para descobrir uma novidade Ícara: as Terras Austrais.

13 agosto

17h30            Café Literário                  AS MÁQUINAS VOADORAS: VEIA ROMANESCA                  Com Françoise Hamel “Les forains du Roi”, Plon 2010

Antiga conselheira artística da televisão próxima de Michel Drucker (“rendez-vous sur dimanche”, “Champs-Elysées”), jornalista de documentários históricos e literários, Françoise Hamel é autora de inúmeros romanos entre os quais Le Café à l’eau e Fille de France que lhe rendeu o prêmio Cazes-Brasserie Lipp 2005.

Em seu último romance, “Les forains du Roi”, Françoise conta a história de um pai que, ansioso por impressionar o Rei Louis XIV, ambicionava fazer seus filhos voarem após conhecer os famosos desenhos das “máquinas voadoras” de Leonardo da Vinci.

 

21h30            Leitura                        Les Etats et Empires de la Lune (Os Estados e Impérios da Lua)                   De Cyrano de Bergerac                        Com Michel Viullermoz (sócio da Comédie-Française)

Escritor, poeta e livre-pensador, Cyrano de Bergerac tinha conhecimentos sólidos (particularmente em matéria de astronomia) que ele conquistou a partir das leituras e das experiências feitas em companhia de algum sábio e filósofo. Desde o início de “Les Etats et Empires de la Lune”, o narrador declara, olhando a lua, que esse astro “é um outro mundo como este aqui, para o qual o nosso é a lua” Ele decide verificar a coisa e parte para experimentar sua visão de outro mundo lançando-se ao céu.

14 agosto

17h30            Café Literário                        JULES VERNE                        Com Gonzague Saint Bris “Sur les pases de Jules Verne”, ilustrações Stéphane Heuet, Presse de la Reinassance, 2005

         Julio Verne faz sonhar. Geração após geração. Época após época ele fascina os exploradores. Poeta do progresso técnico, ele inspira os cientistas. Gonzague Saint Bris nos convida para uma caminhada sensível onde a poesia dos lugares e dos seres, ilustrados por Stéphane Heuret, alimentam a inspiração fértil de um autor incomparável. Misturando suavemente biografias, anedotas pitorescas, trechos de romances e episódios da vida real, esse livro enche de uma luz inédita o mundo interior de um dos romancistas mais lidos do mundo.

21h30            Leitura                        ROBUR-LE-CONQUERANT                   De Julio Verne                     Com Bernard-Pierre Donnadieu

         A grande idéia de Julio Verne foi escrever o “Roman de la science” (Romance da ciência) substituir a maravilha das mágicas e fadas por essa humanidade pensante e, sobretudo, sábia. Em todas essas histórias, Verne envolve máquinas, que muitas vezes precedem um pouco a realidade: o submarino, o navio-voador, a televisão, a cápsula interplanetária. Em Robert-le-Conquerant ele antecipa a viagem aérea nesse que Robur chama de o novo Ícaro.

Aqui a verdadeira utopia, essa coisa alguma: é o futuro, o mundo transformado pela tecnologia. Mas essa emancipação da gravidade é uma faca de dois gumes: se ela figura uma possibilidade dos homens se libertarem das contingências materiais, ele contém também o risco do desvio militar e totalitário desse domínio da natureza e, portanto, da natureza humana.