A arte de rua impulsiona os destinos turísticos

A arte de rua impulsiona os destinos turísticos

 

As particularidades da arte urbana

A arte de rua (street art) caracteriza as obras produzidas por um artista que procura se reapropriar do ambiente urbano lhe dando assim um novo significado. Geralmente politizados e carregados de reivindicações,  as mensagens ficam expostas em espaços escolhidos em função do que representam  em seus contextos originais e após transformação artística. O artista representa um gesto ilegal de maneira gratuita. Nota-se aqui a diferença com a arte pública, que resulta de um acordo feito entre o artista e o solicitante (município, empresa, etc.).  A abordagem torna-se legal, remunerada e deve responder ao pedido do solicitante.

Em paralelo a arte tradicional, a arte urbana se revela em uma esfera pública, mas continua sendo a expressão de uma cultura bem particular. Sua forma original possui algumas especificidades: uma apropriação indevida de construções urbanas, a instantaneidade, o caráter ilegal do processo e o aspecto efêmero da obra terminada. Além disso, ela se dirige e se impõe a todos: inútil de empurrar a porta de um museu ou de uma galeria para admirar a produção de um artista de rua.

A quem pertence a obra? O artista possui os direitos autorais, mas o espaço onde ele se expressou não o pertence. O proprietário pode decidir apagar o que ainda é considerado como vandalismo.  No caso do desenvolvimento do turismo da arte de rua, a questão dos direitos autorais não deve ser esquecida.

 

 

Exemplos de aberturas sucedidas à clientela turística.

Mesmo sendo uma arte de rua onde expressa uma cultura marginal, sua valorização graças aos modos de difusão tradicionais é possível. O MUU Street Art Museum em Zagreb é um museu a céu aberto que lista e expõe as novidades da capital croata. Em Montreal, a galeria Fresh Paint! reúne obras de artistas locais e internacionais. Iniciativa do mesmo grupo, o festival Under Pressure procura desmistificar a arte de rua apresentando à população as etapas subjacentes a essa cultura.

 O projeto Tour Paris 13, maior exposição de arte urbana do mundo, acolheu milhares pessoas. Sua particularidade? Os curiosos tiveram somente o mês de outubro para visitá-la, visto que a destruição do prédio estava prevista para o mês seguinte. As obras, no entanto, foram colocadas digitalmente no site do evento artístico.

 

A utilização de novas tecnologias permite de valorizar e conservar os traços de uma etapa que se mostra efêmera. Em Nova York, a Free Art Society coloca códigos QR em suas obras e assim criar uma caça ao tesouro, onde cada obra leva para uma seguinte.

As aplicações para celular também se deixam seduzir pela arte de rua. Urbacolors permite ao usuário encontrar obras que estão próximas,  fotografar e compartilhar com os amigos nas redes sociais. Pontos são acumulados quando uma foto é compartilhada ou quando um membro da comunidade o adiciona à sua coleção pessoal. Na mesma linha, a cidade de Paris lançou o aplicativo My Paris Street Art, que localiza as produções de arte urbana, fornece explicações e permite àquele que a consulta de participar ao enriquecimento da base de dados existente.

 

O desenvolvimento da arte de rua em relação ao turismo deve continuar a ser um processo sincero, perto do ambiente e conservar o sabor marginal típico da cultura urbana. Os artistas de rua propõem uma experiência artística única que seria uma pena transformar em produto de massa turístico.

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