TAHITI BLACK PEARL

Published on 05 março 2015
TAHITI BLACK PEARL pf

"Os primeiros lampejos de luz"

A mitologia polinésia fala sobre pérolas negras como os primeiros lampejos de luz dados pelo Criador para Tāne, uma divindade que presidia os dez respeitados níveis do Céu. Tāne fez as estrelas a partir delas, antes de enviá-las a Ruahatu, o deus dos oceanos, para que ele pudesse iluminar seu universo. A seguir, o deus 'Oro, divindade guardiã da beleza, da harmonia e da paz, deu-as para as mulheres que seduziu. Quando sua obra estava completa, ele as confiou aos seres humanos com a ostra perlífera te uhi tara mea, para comemorar sua jornada para a terra.

Pinctada margaritifera, a variedade Cumingii

A pérola taitiana vem da Pinctada margaritifera, da variedade Cumingii. Essa ostra perlífera secreta pigmentos pretos naturalmente, dando a tonalidade característica ao nácar (madrepérola) e às pérolas. Vivendo nas lagoas dos atóis polinésios, a ostraPinctada margaritifera mede de 25 a 35 cm de diâmetro. Em seu estado natural, vive ligada ao coral e se alimenta de plâncton, pequenos seres e plantas flutuantes na lagoa. Muitos observadores têm falado que os polinésios as conhecem muito antes da chegada dos europeus. Costumavam fazer uso abundante do nácar para confeccionar ganchos e ornamentos, bem como pérolas "naturais". 

"A rainha das pérolas"

Em seu estado natural, a pérola forma-se e se desenvolve quando um grão de areia ou outro pequeno corpo estranho irritante entra na concha da ostra. A ostra, então, cobre o "intruso" com sucessivas camadas de nácar, que continuam até formar uma pérola. Esse processo leva anos e é extremamente raro. Para encontrar uma pérola "natural" você tem que abrir entre 15 e 20 mil ostras perlíferas! A partir do século XIX, no entanto, praticou-se a pesca intensa nas lagoas das ilhas Tuamotu e Gambier, não apenas para explorar a madrepérola, mas também para encontrar as famosas pérolas negras. Essas pérolas tinham tal valor e eram tão raras que eram conhecidas como a "Pérola das rainhas" e a "Rainha das pérolas". 

A era pioneira

Diante da raridade das pérolas "naturais", desenvolveu-se uma técnica de produção artificial. A invenção de enxertar a ostra perlífera veio do trabalho de três pesquisadores japoneses no início do século XX: Kokichi Mikimoto, o "pai" da cultura de pérolas moderna, que desenvolveu a técnica, que foi então ampliada por seu genro, Tokishi Nishikawa, e Tatsuhei Mise.

Na década de 60, Jean-Marie Domard, veterinário que trabalhava para a indústria da pesca na Polinésia Francesa, começou a fazer experiências com a ostra Pinctada Margaritifera usando as técnicas de enxerto utilizadas no Japão. Nasce a cultura de pérolas polinésias. As primeiras experiências ocorreram na lagoa de Bora Bora e a seguir, várias fazendas de pérolas se estabeleceram nas ilhas Mānihi, Marutea e Mangareva. A partir dos anos 80, a cultura das pérolas decolou de modo incrível. Em 1976, o Gemological Institute of America reconheceu a autenticidade da cor natural das pérolas taitianas cultivadas. A World Jewellery Confederation (Confederação Internacional de Bijuteria, Joalheria e Ourivesaria - CIBJO), concedeu o reconhecimento oficial e estabeleceu seu nome comercial "pérola taitiana cultivada".

Enxerto

O enxerto consiste na inserção de um núcleo no "saco perlífero" de uma ostra. Com a forma de uma bola de gude, mas feito de matéria orgânica, esse núcleo tem um papel semelhante ao do grão de areia. Durante o processo, também se introduz outro enxerto, que é uma peça de tecido orgânico cortado do invólucro da ostra doadora. Para isso, as valvas da concha da ostra são mantidas abertas com um alicate.

Se tudo correr bem, o enxerto formará o saco perlífero. Em seguida, a ostra secreta camadas de nácar para cobrir o núcleo e, por fim, produzir uma pérola cultivada. Se tudo correr bem, o enxerto formará o saco perlífero.

A operação de enxerto é um procedimento muito delicado. Algumas ostras rejeitam o núcleo ou morrem. Apenas 25 a 30 ostras em cada 100 produzem pérolas comerciais. O período necessário para a pérola cultivada formar uma camada suficiente de madrepérola é aproximadamente 18 meses. Quando a cultura de pérolas polinésias começou, essa operação delicada, que requer habilidade de precisão, era realizada exclusivamente por enxertadores do Japão. Hoje, contudo, muitos polinésios são mestres nessa técnica e não há sequer uma escola de enxerto no arquipélago Tuamotu-Gambier

Coleta e cultivo

A primeira fase da cultura de pérolas é coletar as sementes (larvas de ostras). Isso é feito por "coletores", que são, de fato, tiras de material sintético suspensas vários metros abaixo da superfície da lagoa, que são vistas pelas ostras jovens e às quais elas aderem. Esses coletores permanecem na água durante 1 a 2 anos, produzindo ostras que medem de 5 a 10 centímetros. Em seguida, as ostras são ligadas a cordas colocadas de volta na água, para continuar a crescer e atingir o tamanho necessário para serem enxertadas, que é de 9 a 11 cm. Esta segunda fase de cultivo leva de 3 a 12 meses. 

Colheita

Após o trabalho meticuloso de enxerto, há uma espera de cerca de 18 meses para obter uma pérola. Ao todo, passam-se quase quatro anos de trabalho! Após a primeira colheita, também se pode realizar um subenxerto. Quando o primeiro enxerto produzir uma bela pérola, significa que a pérola-mãe ainda está em boas condições de saúde e poderia suportar outro enxerto e, portanto, produzir mais uma pérola. Pode-se realizar até quatro enxertos sucessivos na pérola-mãe. Este processo incessante que vai desde o cultivo até o enxerto e a colheita é o ritmo da vida em uma fazenda de pérolas.

Diversidade e renome

A beleza de uma pérola depende de um grande número de critérios: forma, estado da superfície, cor, orientação, brilho, etc. A pérola taitiana cultivada é conhecida em particular pela variedade de suas nuances de cor e também pela grande diversidade de suas formas, que pode ser redonda, semirredonda, circular, barroca ou semibarroca. As autoridades polinésias identificaram cinco níveis de qualidade que vão desde a categoria "Perfeita" até as categorias A, B, C e D. Para cada cem ostras enxertadas, vinte e cinco produzirão uma pérola comercial, mas apenas cinco serão classificados como A. É importante notar que, a fim de ser vendida como uma autêntica "pérola taitiana cultivada", a pérola deve ter uma camada mínima de nácar de 0,8 mm. 

Fama internacional

Depois do turismo, a cultura de pérolas é o segundo recurso econômico da Polinésia Francesa e o principal produto de exportação. Esse setor e as indústrias dependentes dele empregam cerca de sete mil pessoas, principalmente no arquipélago de Tuamotu, nas ilhas Gambier e no Arquipélago da Sociedade. A pérola tornou-se elemento essencial no desenvolvimento desses dois arquipélagos. A maior parte da produção é exportada para a Ásia e os Estados Unidos, depois de leilões organizados principalmente em Papeetē e Hong Kong.

Tendo adquirido uma reputação de classe mundial, a "pérola taitiana cultivada" é encontrada em todo o espectro de pérolas, desde peças de colecionador, até joias da moda e joias sofisticadas. De colares clássicos a bijuterias, a pérola do Taiti tornou-se uma jóia incomparável.

Em números

9,5 toneladas de pérolas produzidas em 2007

631 fazendas de pérolas, em 2008

5.000 empregos

Preço médio, por grama, de pérolas cultivadas em 2007: 1.268 francos CPF (10,6 euros)

Valor das exportações de pérolas cultivadas em 2007: 10,6 bilhões de francos CFP (88,8 milhões de euros)

Principais mercados de exportação: Hong Kong/Japão/Estados Unidos

Principais áreas de produção: Arquipélago Tuamotu-Gambier (90% da produção) atóis de Ahe, 'Apataki, Aratika, Arutua, Fa'aite, Fakarava, Gambier, Hao, Kātiu, Kauehi, Kaukura, Mākemo, Mānihi, South Marutea.

Arquipélago da Ilhas de Sotavento (1,5% da produção), Ra'iatea, Huahine e Taha'a.